sexta-feira, 10 de abril de 2015

Mineiro, suspeito de estelionato e extorsão, se exibe em redes sociais - Josimar Gomes pode ter causado prejuízo de R$ 1 milhão para a Caixa. Ele também é investigado por roubar e extorquir empresário.

Josimar em uma das fotos de passeios que ela fazia (Foto: Reprodução / Facebook)
Um dos passeios feitos por Josimar Gomes no RJ
Foto: Reprodução / Facebook)

Josimar Gomes, de 27 anos, se apresenta em uma rede social como sócio de uma empresa de informática em Corinto (MG). Ele aparece em passeios que fez pelo Brasil e pelo exterior, além de fotografar alguns presentes que diz ter comprado para si mesmo, um carro, um celular e uma moto. Mas as postagens exibidas na internet não condizem com o emprego de quem prestava com serviços de informática, é o que afirma a polícia. Josimar foi preso nesta quinta-feira (9), na operação “Avalanche”.
“Temos notícias de que ele desenvolvia algumas atividades que não trariam uma condição financeira para que ele trabalhasse dois dias e viajasse os outros 28, como fazia. Ele ia para o Uruguai, Argentina, Paraguai, frequentava cassinos, hotéis, bares, ia para o Rio de Janeiro, para Búzios, Cabo Frio,  viajava sempre de avião, ostentava fotos em carros e coberturas”, revela o delegado da Polícia Civil, Vítor Amaro.
Em rede social, Josimar afirma que sabe como ganhar dinheiro na internet (Foto: Reprodução / Facebook)
Uma das postagens do suspeito na página dele.
(Foto: Reprodução / Facebook)
Josimar Gomes é alvo de investigações das Polícias Civil e Federal, por diversos crimes, entre eles falsidade ideológica, falsidade documental, contrafação documental, uso de documento falso, estelionato, extorsão qualificada, porte de arma de fogo.

“Ele tem a mente artificiosa e conduz as pessoas para onde quer, é extremamente articulado com as palavras e acumulou conhecimento em várias áreas, para que pudesse ter subsídio para aplicar qualquer tipo de golpe”, é assim que o delegado Vítor Amaro define o suspeito.

Além do mandado de prisão, foram cumpridas três ordens judiciais de busca e apreensão na casa do suspeito, da sogra e dos pais dele. Entre os diversos materiais apreendidos, os que mais chamaram a atenção do delegado foram dois distintivos da Polícia Civil, utilizados por Josimar Gomes para se passar por perito e detetive, e computadores, que armazenavam centenas de documentos falsos e programas para a manipulação de comprovantes de residência e RGs.
Materiais apreendidos pela PC com Josimar (Foto: Michelly Oda / G1)
Materiais apreendidos pela PC com Josimar
(Foto: Michelly Oda / G1)
Prejuízo de R$ 1 milhão
As investigações apontam que em 2014 ele conseguiu sacar mais de R$ 1 milhão da Caixa Econômica. Com a ajuda de um estagiário da agência da cidade, na época com 15 anos, ele conseguiu descobrir a senha de uma funcionária, que trabalhava no banco há mais de 10 anos. Segundo a PC, por meio deste acesso, ele conseguia aprovar cadastros feitos com documentos falsos, posteriormente, os cartões bancários, com crédito de programas do Governo Federal, eram emitidos e o dinheiro era sacado.

“Os golpes ao patrimônio da União atingem valores fora da realidade de uma cidade tão pequena quanto Corintox [23 mil habitantes], aliás, a gente não sabia que tínhamos pessoas com esse tipo de inteligência e sagacidade ou disponibilidade para cometer esse tipo de crime”, destaca o delegado Vítor Amaro.
Josimar combinou de dar uma moto para o menor, como os pais do adolescente sabiam que ele recebia meio salário mínimo, o suspeito contratou uma empresa e forjou uma promoção, como se o jovem tivesse ganhado uma motocicleta, após fazer uma compra pela internet.
Deep web
De acordo com a polícia, além de falsificar os documentos para uso próprio, Josimar ainda os comercializava por uma rede social. Muitas das informações e dos programas utilizados por ele era retirados da deep web, também conhecida por “web profunda” ou “web invisível”, um espaço da internet que não é acessado pelo usuário convencional e cujo conteúdo não aparece em sites de busca.

“Ele criava contas fantasmas em nomes de terceiros e ia subtraindo o dinheiro. Em um computador dele encontramos contas com nome, RG, CPF, senha, certificação digital, todos os dados para as exigências que o banco tinha em relação à segurança. Além disso, ele tinha acesso a sistemas de específicos, como do Serasa e SPC”, fala o delegado.
No decorrer das investigações, todo o dinheiro que o suspeito conseguiu irregularmente foi bloqueado. Em apenas uma das contas havia 28 depósitos com valores superiores a R$ 100 mil.

Delegado diz que outras pessoas podem ser presas conforme o andamento das investigações (Foto: Michelly Oda / G1)
Delegado diz que outras pessoas podem ser presas
conforme o andamento das investigações
(Foto: Michelly Oda / G1)
Extorsão
Além da investigação relacionada à Caixa Econômica, Josimar também é suspeito de tentar extorquir a família de um empresário da cidade. Segundo a polícia, ele e mais duas pessoas abordaram as vítimas em uma fazenda, trouxeram o comerciante para Corinto e o obrigaram a entregar todo o dinheiro que estava no cofre, R$ 40 mil.

Além disso, os criminosos pegaram os números dos celulares das vítimas e após uma semana, eles telefonaram e exigiram que o empresário depositasse a quantia de R$ 300 mil ou matariam os três filhos dele.
O delegado Vítor Amaro explica que a operação seria realizada na próxima semana, mas teve que ser antecipada.

“A situação saiu do nosso controle, tendo em vista que as vítimas receberam uma  ligação na quarta-feira, por volta das 17h, exigindo a quantia que anteriormente já havia sido combinada sob pena de matar os três filhos do empresário. Já tínhamos uma logística preparada, mas, infelizmente para nós, e felizmente para as vítimas, conseguimos nos organizar muito rápido. Caso a operação não fosse feita, possivelmente a integridade física destas vítimas e até a vida poderiam ser afetadas.”

Além de ser reconhecido pelas vítimas, Josimar, que aparece nas imagens do circuito do escritório da empresa das vítimas, foi reconhecido por pessoas ligadas a ele. O suspeito aparece revirando gavetas, ele usa uma luva em uma das mãos, mas deixa o rosto descoberto.

“Mesmo agindo em uma cidade pequena, ele desdenha da capacidade do pode público de investigá-lo e da capacidade das pessoas da cidade de se manifestarem”, fala o delegado.
Desdobramento e punições
O delegado Vítor Amaro esclarece que, no decorrer das investigações, outros crimes podem ser identificados, já que o material apreendido foi analisado apenas de forma superficial.


“Obtivemos sucesso e é só o começo, é apenas uma pessoa, que pode nos levar a uma dezena de pessoas, mas acredito que a figura mais importante no núcleo está sob nossa custódia”, finaliza.

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