sábado, 16 de fevereiro de 2019

OAB envia carta a federação japonesa de advogados em defesa de Ghosn


16/02/2019 19:53 
OAB envia carta a federação japonesa de advogados em defesa de Ghosn
A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) enviou uma carta à Federação dos Advogados do Japão solicitando que a entidade adote as medidas necessárias para garantir os direitos do executivo brasileiro, Carlos Ghosn. Ex-CEO e mentor da aliança entre as montadoras Nissan, Renault e Mitsubishi, Ghosn está preso preventivamente em Tóquio desde 19 de novembro de 2018, acusado de sonegação fiscal e de desviar recursos das empresas para fins pessoais. Claudio Lamachia, presidente da OAB, afirma no documento que a entidade, sem entrar no mérito das razões da prisão, está preocupada com as “violações de direitos humanos” sofridas pelo executivo. “Ghosn se encontra em prisão preventiva injustificada, submetido a condições que violam sua integridade física e moral, com claro intuito de obter confissão sob tortura”, diz o documento ao qual a reportagem teve acesso. A manifestação da OAB é resultado de um pedido do escritório Siqueira Castro Advogados —um dos sócios é próximo da família de Ghosn há anos. Os familiares do executivo —que tem cidadanias brasileira, libanesa e francesa— vem insistindo para que o Brasil se envolva mais diretamente no caso, alegando violações dos direitos humanos. De acordo com relatos dos familiares, Ghosn estaria sendo mantido numa cela minúscula, com luzes acessas dia e noite e sem roupas adequadas para o rigoroso inverno japonês. Eles dizem que o executivo perdeu 15 quilos e vem tendo episódios de febre e delírios.
Nesta semana, Ghosn trocou sua equipe de defesa em Tóquio e contratou o advogado japonês Junichiro Hinoraka, apelidado no país de “a Navalha” e conhecido por conseguir absolvições no rígido judiciário japonês, onde as taxas de confissão são muito altas. Também nesta semana, a Renault, que vinha apoiando o executivo, cancelou um pacote de indenização de Ghosn de 30 milhões de euros. A montadora informou ainda à Justiça francesa que encontrou uma transferência suspeita que teria pago as despesas do luxuoso casamento do executivo no Palácio de Versalhes. (por Raquel Landim | Folhapress)

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