sábado, 7 de dezembro de 2013

Assembleia de Minas decide exonerar piloto que transportava meia tonelada de cocaína - Funcionário da empresa dos filhos de senador, ele também trabalhava desde março na 3ª Secretaria da Casa



BELO HORIZONTE — A Assembleia Legislativa de Minas anunciou nesta terça-feira a exoneração de Rogério Almeida Antunes, o piloto do helicóptero da empresa da família do senador Zezé Perrella (PDT-MG), lotado desde março desse ano na 3ª Secretaria da Casa, presidida pelo deputado estadual Alencar da Silveira Júnior (PDT-MG). Preso pela Polícia Federal (PF) transportando perto de meia tonelada de cocaína pura no Espírito Santo, no último domingo, Antunes ocupava o cargo de agente de serviços de gabinete padrão I.
Em troca, recebia salário de R$ 829,67, mais R$ 400 de auxílio alimentação e R$ 200 de vale-transporte por mês. A exoneração será publicada no Diário Oficial do Estado nessa quarta-feira. De acordo com a Assembleia, ele foi indicado por seu patrão, o deputado estadual Gustavo Perrella (SDD), um dos donos da empresa em que está registrada a aeronave, tendo em vista que o filho e herdeiro político do senador é presidente da Comissão de Turismo da Casa. Ele, no entanto, foi designado para ficar a disposição da 3ª Secretaria da Assembleia.
Como ocupava cargo de confiança, a Casa não tem controle de presença do servidor, informações de responsabilidade de quem fez a indicação. Ainda de acordo com a Assembleia, Antunes cumpriu todos pré-requisitos para a ser nomeado, entre eles apresentou atestado de bons antecedentes da Polícia Civil de Minas.
Além de ocupar cargo público, Antunes era funcionário da Limeira Agropecuária, empresa constituída pelo senador, mas que hoje está registrada em nome do deputado, de uma filha e um sobrinho do ex-presidente do Cruzeiro. Em nome da mesma empresa, consta a fazenda Guará, na cidade de Morada Nova de Minas, avaliada em pelo menos R$ 60 milhões. Zezé e Gustavo não falaram ontem sobre o assunto.
Em entrevista nesta terça-feira, o advogado da família, Antonio Carlos Almeida Castro, o Kakay, voltou a dizer que Antunes era funcionário de alta confiança.
— A família tinha tanta confiança nele que ele ocupava um cargo na Assembleia de Minas por indicação do Gustavo — declarou.
Kakay garante que seu cliente vai processar o piloto por apropriação de indébita.
— O Gustavo falou ontem (segunda-feira) em roubo, mas é porque ele não é advogado — afirmou.
O defensor, em certo momento, trouxe uma questão nova. Segundo ele, o piloto enviou, na última sexta-feira, uma mensagem de celular para o deputado avisando que havia conseguido alugar o helicóptero por R$ 12 mil para um frete de material agrícola. Conforme o advogado, é comum fazer esse tipo de transação pelo menos três vezes por ano para bancar despesas da aeronave.
— O deputado respondeu com um o.k., está tudo registrado no telefone, a polícia vai ter acesso — disse.
No último domingo, a Polícia Federal (PF) no Espírito Santo interceptou o helicóptero em uma fazenda na cidade de Afonso Cláudio, a 138 Km de Vitória, com cerca de 445 quilos de cocaína pura. Além do piloto, três outras pessoas estão presas. A propriedade estava sendo monitorada há 20 dias. A PF ainda está investigando o caso.autorização. 

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