quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Montes Claros MG. Mansão comprada em triangulação e dados falsos - No destaque, a mansão onde reside a família de Ruy Muniz


Outra descoberta da investigação da Receita Federal: a mansão onde reside a família de Ruy Muniz, em Montes Claros, teria sido adquirida através de triangulação financeira e com dados falsos, ao fazer um comparativo nos processos. O empresário Ruy Gabriel Muniz, que teve a prisão decretada em outubro passado, declarou na Receita Federal ter adquirido a casa em Montes Claros por 2 milhões, tendo dado um sinal de R$ 1 milhão e as 2ª e 3ª parcelas foram transferidas para a conta de Jussara Sezko Campos, de quem adquiriu o imóvel. Declarou que a origem do R$ 1 milhão dado como sinal, seria de um empréstimo obtido junto a seu irmão, Thiago Queiroz Muniz, que, por sua vez, declarou que obteve R$ 2,3 milhões de rendimentos isentos da FASI.
Os R$ 2,3 milhões acrescidos de R$ 143 mil reais foram rateados entre seus pais e irmãos, a título de empréstimo no ano de 2013. No entanto, não se observou movimentação financeira na conta de Thiago Muniz. Por sinal,  por meio de alteração contratual, assinada em 19 de setembro de 2013, assumiu 99% das cotas do capital social da FASI e declarou na DIRPF que a fundação auferiu R$ 2,3 milhões no ano calendário de 2013, não obstante, as demonstrações contábeis apontam por acúmulo de prejuízo nos anos de 2011, 2012 e 2013. Os registros contábeis e as demais provas corroboram a conclusão da Receita sobre a origem do capital utilizado para aquisição do capital para a compra da referida casa.
A Receita Federal não encontrou nada referente à operação imobiliária. Porém,  foram apreendidos alguns documentos em posto de gasolina, em Montes Claros, onde dão conta de que o valor pactuado foi de R$ 3,5 milhões. Raquel e Ruy Muniz foram avalistas e, portanto, teriam pleno conhecimento da negociação e que esta envolvia a utilização de recursos da Soebras. Também foi constatada a compra de aeronaves com recursos da Soebras para uso particular e político de Raquel e Ruy Muniz, adquiridos mediante o mesmo sistema de depósito e transferência nas contas da Única Educacional, relembrando que as contas desta última são alugadas para Soebras mediante contrato atípico de administração de recursos financeiros com o objetivo de blindagem patrimonial. A partir disso, concluiu-se que as aeronaves também teriam sido adquiridas com recursos da Soebras.
Na sequência das investigações, foi solicitado ao COAF relatório de inteligência fiscal relativo às pessoas investigadas, de 16 de fevereiro de  2011 a 15 de fevereiro de 2016, ondeteriam sido constatadas diversas transações em espécie acima de R$ 100  mil reais,  realizadas no Sicoob Executivo/DF, instituição financeira com unidade nas dependências da Soebras. Constatou-se que a maioria das transações financeiras realizadas em espécie, algumas acima de R$ 10 milhões, não constaria do relatório da COAF. (Foto: Divulgação)

http://www.gazetanortemineira.com.br/noticias/cidade/mansao-comprada-em-triangulacao-e-dados-falsos

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