sábado, 13 de julho de 2013

PROCURADO PELA POLÍCIA FEDERAL, REPRESENTANTE DE EMPRESA FRAUDULENTA DIZ QUE NEGOCIOU COM A PREFEITURA DE JANAÚBA, MAS ISENTA O ENTÃO PREFEITO


ARAÇUAÍ/MG (por Sérgio Vasconcelos) – Marcos Vinicius Silva, 34 anos, está foragido.  De acordo com a Polícia Federal, ele estaria envolvido no escândalo que desviou R$ 70 milhões dos cofres públicos. A operação batizada de “Violência Invisível” prendeu dois ex-prefeitos do Norte de Minas. Alegando inocência e vítima de um esquema criminoso que ele desconhecia Marcos Vinicius, conhecido por Marquinhos, residia em Araçuaí, Vale do Jequitinhonha, concedeu através de um telefone com número privativo, entrevista exclusiva na tarde de domingo, dia 7 de julho, ao Jornal Gazeta de Araçuaí.
Residindo desde dezembro passado em Montes Claros, ele negou as acusações e disse que foi envolvido por uma empresa que tinha reconhecimento no mercado. Na entrevista, ele cita que negociou com a Prefeitura de Janaúba, mas isentou o então prefeito José Benedito Nunes Neto (PT).
Na Operação Violência Invisível, desencadeada no dia 2 de julho pela Polícia Federal, sete pessoas foram presas, das nove que tiveram a prisão decretada, entre elas o empresário Mateus Roberte Carias, apontado como mentor do esquema e os ex-prefeitos de Pirapora, Warmillon Fonseca Braga (DEM), e de Janaúba, José Benedito Nunes. O ex-prefeito de Montes Claros, Luiz Tadeu Leite (PMDB), também teve a prisão decretada. Ele está refugiado em Miami, nos Estados Unidos. (Na última quinta-feira, dia 11, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais revogou a prisão de Tadeu. E ontem, sexta-feira, dia 12, liberou os ex-prefeitos José Benedito e Warmilon Braga, mas este continuou detido devido a outro mandado de prisão com relação à gestão dele frente à Prefeitura de Pirapora).
Marcos Vinicius negou qualquer envolvimento com os ex-prefeitos. “Não conheço estes ex-prefeitos. Nunca tive contato com eles. Sou inocente”, afirma.
TRECHOS DA ENTREVISTA CONCEDIDA POR MARCOS VINICIUS AO JORNAL GAZETA
Como você se envolveu nesta história?
Quando estava na prefeitura de Araçuaí, chegou uma proposta da Urbis, para compensação do INSS dos Agentes Políticos que foram pagos de forma irregular. Logo depois eu fui exonerado do cargo de chefe de gabinete, em março de 2010.
Na época a Urbis apresentou inúmeras prefeituras que faziam e o serviço era bom para os municípios
Quando sai da prefeitura em 2010 eu fui à (cidade de) Vitória (no Espírito Santo) e conheci o Mateus Roberte. Ele me falou que o serviço de compensação não podia mais ser feito, pois tinha vencido o prazo para entrar com a ação. Passou um tempo, ele me ligou e disse que queria falar comigo. Ele mandou um representante em Governador Valadares e me falou que a Digicorp, outra empresa dele, que estava fazendo uma parceria com uma grande empresa de Vitoria, a Merizzio e Louzada, e que essa empresa tinha precatórios transitados em julgado escriturado na Receita Federal para compensação do INSS. Ele me apresentou toda documentação autenticada das empresas privadas que faziam. Mas, o que mais me interessou foi que, as compensações só se iniciariam após a autorização da Receita Federal, dizendo que o crédito tinha sido habilitado, e poderia iniciar as compensações. Achei fantástico. Falei que fizessem a proposta para as prefeituras e empresas privadas que eu ia trabalhar.
Como funcionava o esquema?
Na época me apresentaram 87 contratos com empresas privadas que faziam esse procedimento há mais de 7 anos.  E que poderia fazer para prefeituras. Então amigo, corri atrás. Pode acreditar, todos nós somos vitimas. E falam que fiz em várias prefeituras.
Você fez quantos contratos e com quais prefeituras?
Foram apenas três. Capelinha, Janaúba e Montes Claros.
Em quais prefeituras você protocolou propostas?
Protocolei em diversas prefeituras e empresas de grande porte, inúmeras. Mas só fechei contrato com a de Montes Claros, Janaúba e Capelinha.
Mas você não desconfiou que podia ser um golpe?
A Urbis era um instituto de nome nacional, com contratos em todo pais, exercendo trabalho na área tributária. Eu ia trabalhar com precatórios transitados em julgado e escriturados na Receita Federal. Um negócio absolutamente legal. Eu tinha absoluta certeza que o negócio era idôneo. Pelo amor que sinto pela minha mãe, eu não pratiquei nada de errado.
A Polícia Federal afirma que  os documentos apresentados  são falsos.
Toda documentação que a empresa mandava, estava autenticada não dando nenhuma brecha para pensar em falsificação. Os prefeitos são vítimas. Não tem qualquer propina para prefeitos ou servidores públicos. Só fizeram porque o negócio parecia totalmente lícito e para os municípios era excelente, pois todos passam por dificuldades.
Em que consistia esses benefícios?
A cada um milhão que pagaria ao INSS, R$ 300 mil ficariam nos cofres públicos. Volto a afirmar, são todas vítimas. A Justica tem de prender os verdadeiros culpados.
Quem são eles?
Acredito que a Policia Federal vai encontrar os verdadeiros bandidos, pois estão ouvindo todos. Não sou bandido. Nunca respondi a nenhum processo. Sempre trabalhei.
Se a Urbis já estava envolvida em escândalo semelhante, por que você permaneceu trabalhando para ela?
Não ofereci mais nada depois da operação no Espírito Santo E as compensações dos três municípios estavam correndo tudo tranquilamente.
Qual era o seu papel dentro da empresa ?
Eu era apenas um representante comercial autônomo. Como disse o próprio Mateus Roberte em depoimento à Polícia Federal.
Quem falsificou os documentos?
A Polícia Federal está com um inquérito aberto pra pegar quem falsificou. Não sei que documentos estão dizendo que são falsos. A PF fala que a comunicação que veio da Receita Federal dizendo que o crédito foi habilitado é falsa. Dizem que não existe o servidor da Receita Federal que assinou este documento. Só isso que sei. Pois, toda documentação era trazida por um funcionário do Mateus.
Antes de ter sua prisão decretada, você foi ouvido?
Fui intimado no dia 17 de junho e prestei depoimento na Polícia Federal. Só me perguntaram de Montes Claros, nada de Pirapora ou outro lugar.
Quem pediu sua prisão?
O Ministério Público já estava investigando e pediu a minha prisão à juíza de Pirapora. E ela concedeu.
Onde você está e como você está enfrentando estas denúncias?
Estou em Minas Gerais preparando um Habeas Corpus para que eu possa me apresentar e dar todos os esclarecimentos à Polícia Federal. Quero colaborar com a Justiça. Se eu for agora, vão me prender. Está ruim demais, mas lá dentro da prisão é pior, por isso estou dessa forma. Estou arrasado. Ainda não cometi uma besteira por causa dos amigos
Você vai se apresentar à Polícia?
Somente após a concessão do Habeas Corpus.
(Fonte: jornal Gazeta de Araçuaí no link http://www.gazetadearacuai.com.br/noticia/2145/alegando_inocencia__ex-assessor_de_deputado_citado_em_escandalo__concede_entrevista_ao_gazeta/)

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