quarta-feira, 16 de março de 2016

Bandidos esquecem carteira durante atentado em Brotas

16/03/2016 15:37 
Os bandidos que arrombaram uma casa, executaram duas pessoas e balearam outra na noite desta terça-feira (15), em Campinas de Brotas, deixaram uma carteira para trás com o documento de motocicleta. Ainda não sabem se o material é de um dos criminosos ou de alguma vítima da quadrilha.Por volta das 22h, os moradores da Rua Climéria Montanha foram surpreendidos por dois homens armados. As vítimas estavam sentadas na porta do mecânico Marcelo Melo Souza, 20 anos, quando os bandidos mandaram que colocassem as mãos sobre a cabeça. "Eles disseram para a gente colocar as mão na cabeça e diziam que estava com uma ponto 40 (pistola). Ficamos nervosos e saímos correndo", contou uma das moradoras.No momento da confusão, o pedreiro Genício Silva de Araújo, o Geninho, 51 anos, correu para dentro de casa. Ele mora no mesmo imóvel que o sobrinho, o mecânico Marcelo, e tentou se proteger. "Os caras começaram a atirar e um deles meteu o pé na porta assim que Geninho entrou", contou outro vizinho.Marcelo estava dormindo e acordou com o grito dos moradores e o barulho dos tiros. A mãe dele, a lavadeira Ana Lúcia Araújo Melo Souza, 45 anos, estava na sala e foi baleada no peito. Marcelo também foi atingido e levado pelos dois bandidos.
Sequestro
Moradores contaram que mesmo depois de balear Marcelo, os dois bandidos obrigaram o mecânico a seguir alguns metros, ladeira acima na Rua Climério Montanha. Desesperado, o rapaz tentou se soltar das mãos dos agressores e voltar para casa."Eles (bandidos) disseram: você vai com a gente. Marcelo começou a tentar se soltar e dizer que não iria, pedindo para soltarem ele", contou uma vizinha.Antes de deixar o mecânico voltar para casa, os suspeitos balearam o rapaz outras vezes. O caminho entre o local dos tiros e a casa da vítima ficou marcado pelas manchas de sangue de Marcelo. Depois de voltar para casa, ele encontrou o corpo da mãe na entrada da sala, abraçada pelo tio Genício, que também foi baleado."Percebi que minha irmã já estava morta e quando meu sobrinho entrou, botando muito sangue pela boca, vi que ele não iria sobreviver. Ele passou pela gente, caminhou até a cozinha, caiu e morreu", contou Genício.Marcelo era o filho caçula de três irmãos. Segundo os familiares, ele não terminou os estudos e estava trabalhando, há cerca de um ano, como mecânico em uma oficina em Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador. Nego, como também era conhecido, está esperando pelo nascimento do filho. A esposa dele está grávida de nove meses.
Baleado
O pedreiro Genício foi socorrido pelos moradores para o Hospital Geral do Estado (HGE), onde deu entrada durante a madrugada. Ele foi atingido na perna direita, atendido e liberado. Nesta quarta-feira, amigos ajudaram com a compra de muletas e remédios para o trabalhador."Estou preocupado porque eu dependo do meu trabalho para sobreviver. Trabalho avulso. Não posso ficar parado", afirmou.Aos investigadores do posto policial do HGE, Genício disse acreditar que o crime fosse um mal entendido. Ele contou que um dos sobrinhos, identificado como Bruno, é usuário de drogas e poderia ter sido o alvo dos criminosos. A informação foi refutada pelos moradores na manhã desta quarta."Bruno estava mesmo em casa, mas os bandidos chegaram atirando. Eles não perguntaram por ninguém, nem foram direto para a casa de Bruno. Atiraram na gente e quando a gente correu, eles foram atrás", contou uma moradora.
Insegurança
Moradores reclamaram da insegurança no bairro e disseram que essa não foi a primeira vez que criminosos provocam pânico na região. "Eles são da facção Comando da Paz, que comanda em Cosme de Farias, e são rivais do Bonde do Maluco, que é a facção que comanda por aqui. Eles atravessam a passarela da Avenida Bonocô e vem confrontar os rivais. Só que eles atiraram em trabalhadores", contou um morador, revoltado.Por conta da insegurança, muitos moradores preferiram mudar de bairro e outros estão tendo dificuldade para alugar casas. "A violência cresceu muito e as pessoas têm medo de morar aqui. A gente já pensou em se mudar", contou uma das vítimas que escapou do ataque de terça-feira.O caso está sendo investigado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Até o início da tarde ninguém foi preso.

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