sexta-feira, 15 de maio de 2015

Em MG, juiz decreta prisão preventiva de investigados em fraude do DPVAT Prisões têm como alvo um policial civil e um empresário. Ordem foi expedida por juiz de Montes Claros; fraude chega a R$ 1 bilhão.


O juiz da 2ª Vara Criminal de Montes Claros (MG) decretou a prisão preventiva do policial civil Junior Pereira Ramos e do empresário Valdemir Cardoso Santana, que são investigados por participar de um esquema que fraudava o seguro DPVAT.  Eles já haviam sido presos temporariamente naoperação “Tempo de Despertar”, deflagrada em abril deste ano. A Polícia Federal e o Ministério Público estimam que apenas no Norte de MG o prejuízo aos cofres públicos com a concessão irregular do benefício seja de R$ 28 milhões. No Brasil, o rombo chega a R$ 1 bilhão.
Apenas Junior Ramos foi preso, ele está sob custódia da Polícia Civil, em Belo Horizonte. Já Valdemir Santana, dono de uma empresa que trabalha com pedidos de DPVAT, não foi encontrado, ele é considerado foragido da Justiça.
Na ocasião da operação, 40 pessoas foram detidas. Os mandados de prisão foram expedidos por juízes de Janaúba e Montes Claros. Entre os presos estavam médicos, um delegado, policiais, advogados e empresários.

De acordo com as investigações, que duraram um ano, o grupo criminoso agia de várias formas. Em alguns casos, as ações para requisitar o benefício eram embasadas por documentos falsos e ajuizadas em várias comarcas sem consentimento das vítimas de acidentes. A seguradora também pagava a indenização em valores superiores, mesmo antes de ser firmado um acordo com as partes.

Em outros casos, a seguradora concedia o DVPAT mesmo depois da Justiça ter negado o pedido, por verificar indício de fraude, ou o pagamento era feito sem que houvesse um parecer médico que comprovasse as lesões sofridas ou laudo médico do IML, em casos de morte. Chegaram a ser descobertos, inclusive, casos em que o seguro foi concedido em situações que não envolviam acidentes de trânsito.
Para o Ministério Público e a Polícia Federal, responsáveis pelas investigações, havia também participação de pessoas ligadas diretamente à seguradora Líder, que administra o DPVAT. Em todas as reportagens feitas pelo G1 sobre a operação, a Líder disse que não é conivente com irregularidades e afirmou que denunciou para o Ministério Público alguns casos nos quais foram detectadas tentativas de fraudes.

G1 não conseguiu localizar os representantes do policial civil e do empresário. Durante uma coletiva de imprensa no dia da operação, o delegado Rogério Evangelista, chefe do 11º Departamento da Polícia Civil, disse que parte dos policiais presos já estava sendo investigada pela Corregedoria, afirmou também que eles seriam afastados das funções, a partir da comprovação de que tiveram condutas impróprias.

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