O JORNALISMO INVESTIGATIVO DO GMUNDO RECEBEU DENÚNCIAS DE USUÁRIOS DO SERVIÇO DE SAÚDE DO ESTADO DE MINAS GERAIS EM MONTES CLAROS, QUE É PRESTADO PELO HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CLEMENTE DE FARIA, MAIS CONHECIDO COMO HOSPITAL UNIVERSITÁRIO (HU), QUE É LIGADO A UNIMONTES, UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MONTES CLAROS.
O teor da denuncia consta que, funcionários do HU estavam dormindo no horário de serviço, enquanto as pessoas aguardavam por atendimento, também menciona que o atendimento da recepção é muito ruim, chegando ser desrespeitoso ao cidadão, que a demora no atendimento parece ser proposital, de forma que as pessoas desistem e procuram outras unidades de Saúde.
Um investigador do Gmundonews foi atrás das informações para fins de constatações dos fatos denunciados. Apuramos o caso inicialmente no dia 3 de outubro, por fim foi concluído no dia 15 janeiro. Na oportunidade também apuramos os processos judiciais e foram encontrados mais de 07 mil ligados ao hospital e a Unimontes.
As seguintes situações foram encontradas: O jornalismo velado esteve no local por vários dias, acompanhando pacientes e foi observado que de fato o atendimento na recepção deixa muito a desejar, inclusive, constatamos confusão entre os funcionários sobre suas próprias atribuições. Como exemplo, um servidor X encaminhou erradamente três casos em apenas um dia no período da noite. Uma das pacientes chegou com ferimentos em uma das pernas e rompimento de veias, sangrava muito. Depois de ser atendida na recepção, foi encaminhada para um clínico, quando deveria ser levadal ao cirurgião. Por esta razão teve inicio a discussão entre os funcionários, pois a atendente na reciclagem reclamou que o servidor do balcão de atendimento, estava propositalmente fazendo isso e gerando atrasos, que para dar continuidade ao atendimento. Afirmou que teria que fazer uma nova ficha.


Na noite do dia 27 de dezembro, o pronto socorro encontrava lotado e muitas pessoas a espera, ambulâncias na porta. As reclamações eram constantes, em razão da demora, mas também porque ate os seguranças do local, mostravam está irritados e destratavam usuários, chegando a ameaçar um parente de uma paciente que aguardava atendimentoa, queria entrar no local, (ENTRA QUE VOCÊ VAI VER O QUE VOU FAZER), disse o segurança.
Mas o pior foi o que flagramos às 2h da manha. Quando acompanhava um paciente, observamos que na sala de RAIOS-X, tinha um servidor dormindo, e todo equipamento desligado. Constatamos que havia pacientes as esperas da realização de exames de raios-X na emergência, fotografamos o fato e continuamos nosso trabalho.
Conversando com um médico que identificamos aqui como Dr. Y, o mesmo relatou que a situação está fora de controle, pois são quatro meses sem salários, e a resposta da diretoria é a mesma de sempre, (problema do governador). Que muitos servidores estão endividados com empréstimos, que o Hospital está cheio de aprendiz, situação que de fato foi constatado.
No setor de cirurgia do pronto socorro um estagiário estava realizando um procedimento cirúrgico sozinho a uma vitima de acidente. Um detalhe interessante, o local que estavam realizando alguns procedimentos não é um bloco cirúrgico, ambiente muito precário e sem procedimentos para um acidentado. O médico responsável estava de conversa no corredor e o fato que foi constatado por varias vezes.
Outro fato grave constatado foi no setor de internação em que alguns pacientes não receberam medicamentos nos horários descritos no prontuário. Não foram todos os casos, mas observamos que houve alguns com atraso superior a duas horas. Procuramos pela enfermeira responsável, mas não foi encontrada e nem o médico.
Observamos que o hospital é bem equipado, mas não tem material humano, ou seja, servidores suficientes. Parece um estabelecimento de saúde só para os estagiários de medicina inclusive da Universidade que a controla. O serviço de ouvidoria não funciona e nos casos que ouve tumultos por causa de atendimento, nunca apareceu o diretor ou algum superior. Houve casos que pacientes chegou há esperar 13 horas para o atendimento e muitos casos para serem atendidos, só com presença da polícia.
Acompanhamos uma mulher que chegou desacorda e tivemos acesso à ficha de atendimento. A mesma não foi medicada e nem foi solicitado qualquer exame para identificar as causas do estado de inconsciência. A senhora foi liberada sem a família saber o que de fato aconteceu após a mesma recobrar os sinais dos sentidos. A família da mesma relatou ao Gmundo, que ela estava no banho é desmaiou e foi chamado o SAMU, BOMBEIROS, e ate a PM. Mas não houve comparecimento, foi levada ao hospital por amigos. Foi liberada cerca de 2 horas depois sem qualquer diagnostico do problema.
Levamos o caso aos conhecimentos a um médico para maiores informações e o mesmo disse que este procedimento foi incorreto e que o profissional que realizou o atendimento, teria que ter solicitados exames sem sair do hospital, para descartar um problema grave ou risco maior. Pois ela poderia estar com algo sério e que poderia não dar mais tempo de ser atendida.
Diante de tais fatos, resolvemos fazer uma consulta jurídica, pois percebemos que o histórico relatado por entrevistados, é de que este hospital tem reclamação frequentes de erros médicos e omissões.
Encontramos 7373, (sete mil e trezentos e setenta e três) processos indiretos e mais de 100 processos diretos na comarca de Montes Claros, envolvendo vários casos, entre eles, pedidos de indenizações por erros médicos, omissão no atendimento.
Um caso nos chamou a atenção, no ano de 2002, uma medica ginecologista perfurou o útero de uma mulher com uma tesoura e a mesma estava grávida. O bebê veio a óbito, a mãe ficou em estado grave e, não pode mais ter filhos. O caso teve repercussão nacional, onde a imprensa acompanhou. A médica foi presa em flagrante, o caso foi para justiça criminal e civil. A família processou o hospital e também a médica. 14 anos depois do ocorrido, a justiça ainda não foi feita, e o processo vem sendo adiado desde 2003.
Fizemos uma comparação com outro hospital da cidade e analisamos alguns casos semelhantes. Achamos algo interessante. Os processos de hospitais particulares a justiça tem se resolvido muito rápido e já do hospital do Estado, o HU, a maioria dos processos acabaram arquivados e muitos desistiram e não deram andamento justamente pela demora. Quais os motivos, pelo fato de ser um hospital público, ligado ao governo do Estado, seus processos onde são réus não andam?
Em resumo, percebemos um grande descaso com a população em todos os sentidos por parte de um estabelecimento de saúde onde o chefe é o governador. Onde presume se que deveria ser o melhor, mas não é a situação desse hospital precisa ser levado a sério. Para finalizar, encontramos uma situação grave em que pacientes procura o hospital, e os atendentes diziam que não tinha médicos, mas internamente encontramos vários médicos em bate papo, e muitos deles não cumpre o horário de trabalho. Nenhuma das vezes, encontramos os responsáveis. Por fim encaminhamos e-mail, para Unimontes e próprio HC, mas nunca fomos respondidos.
http://gmundonews.com.br/servidores-do-hu-hospital-universitario-de-montes-claros-foram-flagrados-dormindo-no-horario-e-local-de-tra/
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