
PUBLICADO EM 14/11/15 - 04h00
O motorista mineiro poderá ter uma surpresa nada agradável ao abastecer o carro a partir de segunda-feira. É que novos preços para cobrança do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) entrarão em vigor neste dia, segundo o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados do Petróleo do Estado de Minas Gerais (Minaspetro), e podem interferir no valor cobrado pelo litro de gasolina, etanol e diesel nos postos. A mudança foi publicada no “Diário Oficial de Minas Gerais” do último dia 9.
O vice-presidente do Minaspetro, João Victor Renault, frisou que o preço nas bombas é livre, e que a entidade não mensura se as mudanças da base de recolhimento do ICMS terão ou não impacto nos preços finais. E salienta que os empresários do setor não são responsáveis pelo aumento nos preços de combustíveis. “Nós somos contra a elevação dos tributos, pois somos impactados negativamente. Isso provoca queda nas vendas e aumento da necessidade de capital de giro para a manutenção dos nossos estoques”, diz.
Como funciona. Os governos estaduais realizam, a cada 15 dias, uma pesquisa de preços em postos de combustíveis nos respectivos Estados. A partir desse levantamento, é definido um preço médio dos combustíveis (o chamado Preço Médio Ponderado Final, ou PMPF), que passa a ser considerado a base para o recolhimento do ICMS em cada Estado.
Justiça. O valor da alíquota do imposto estadual sobre combustíveis e energia elétrica em Minas Gerais e nos demais Estados tem desagradado o setor. O Minaspetro, a Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis) e o escritório Neves & Villamil Advogados Associados pretendem contestar as alíquotas na Justiça. A informação foi divulgada na revista do Minaspetro do mês de outubro.
A ação será baseada nos princípios de seletividade e essencialidade previstos na Constituição Federal. Segundo as explicações dos advogados Arthur Villamil e Marco Aurélio Gomes na publicação, os Estados podem instituir alíquotas de ICMS diferenciadas para cada tipo de produto, de acordo com o grau de essencialidade. Entretanto, conforme eles, praticamente todos aplicam aos combustíveis alíquotas bem mais elevadas do que as adotadas para produtos não essenciais. Dessa forma, a tributação pode ser considerada inconstitucional.
Atualmente, em Minas, o ICMS sobre a gasolina é de 29% e sobre a energia elétrica para estabelecimentos comerciais, inclusive postos, de 25%, enquanto que para diamantes, esmeraldas e outras pedras preciosas está na casa dos 5%. No Estado, o Minaspetro, que não preferiu não comentar o assunto, está buscando adesão dos associados para uma ação coletiva.
| FOTO: EDITORIA DE ARTE |
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Demanda ainda cresce
RIO DE JANEIRO. A demanda por combustíveis no país aumentou no terceiro trimestre deste ano, apesar da crise na econômica, informou nesta sexta a Petrobras em teleconferência com analistas. A venda de derivados no Brasil passou de 2,25 milhões de barris por dia (bpd), no segundo trimestre deste ano, para 2,28 milhões de bpd, alta de cerca de 1%. Já o custo de extração de petróleo da Petrobras aumentou 6% no terceiro trimestre.
Por mais arrecadação, governo federal pode elevar PIS e Cofins
Brasília. Sem condições de fechar o Orçamento respeitando a meta fiscal prevista para 2016, o governo já se movimenta para tomar novas medidas, até o fim do ano, que representem aumento de receita. A principal medida em análise é o aumento da alíquota do PIS e da Cofins incidente sobre os combustíveis.
A elevação de PIS e Cofins poderá ser feita pela presidente Dilma Rousseff, sem precisar da aprovação do Congresso Nacional e da necessidade do período de noventena (três meses), prazo obrigatório para a entrada em vigor da Cide-combustíveis. Uma fonte da área econômica calcula entre R$ 6 bilhões e R$ 9 bilhões o potencial de arrecadação, a depender do valor da alíquota.
O Executivo contará com uma lista de dificuldades em fechar as contas do próximo ano: o governo decidiu abolir a possibilidade de abater investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do superávit primário previsto de 0,7% do PIB (ver página B5); conta com recursos de arrecadação incerta, como os R$ 10 bilhões previstos com a venda de imóveis na Amazônia, conforme proposto pelo relator de Receitas, senador Acir Gurgacz (PDT-RO), além de enfrentar a queda na atividade econômica, que tem reduzido a arrecadação no país.
Já foi feito. Segundo uma fonte, o governo deve repetir a estratégia que fez em fevereiro deste ano, ao elevar temporariamente PIS e Cofins da gasolina e do diesel até que a alta da Cide entrasse em vigor. No primeiro pacote tributário do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, a alta do PIS e da Cofins entrou em vigor em 1.º de fevereiro. Já a elevação da Cide passou a vigorar em 1.º de maio, quando PIS e Cofins tiveram um recuo na mesma proporção.
O governo tem um limite já autorizado por lei para aumentar a Cide, o PIS e a Cofins sem precisar de aprovação do Legislativo. “Sem receita, não tem como fechar o Orçamento”, disse um integrante da equipe econômica.
Mais cortes
Reajuste adiado. Outra medida em análise pelo governo é um adiamento ainda maior do reajuste dos servidores públicos. Ele seria em agosto de 2016, mas pode ser empurrado para novembro.

No rastro da gasolina, preço do álcool também sobe nas bombas
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