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A arqueologia de Foucault traça uma história descontínua, baseada no conceito, no objeto do discurso, nas modalidades enunciativas e nas escolhas estratégicas. O que não sabemos (e Foucault não conta, já que não faz referência às suas fontes) é que o procedimento arqueológico bebe muito da epistemologia de Georges Canguilhem.
O livro de Canguilhem mais popular no Brasil é O Normal e o Patológico, pouco estudado e pouco explorado na academia, mas fonte de uma história dos conceitos de saúde, normal, doença e anormal. Sendo assim, o Colunas Tortas lança o material introdutório “Lendo Georges Canguilhem: O Normal e o Patológico”, e-book gratuito escrito por Vinicius Siqueira e disponível no fim desta matéria para download.
A teoria epistemológica francesa passou por mudanças gradativas na metade do século XX: Bachelard foi entronado como ícone da filosofia das ciências; Georges Canguilhem – seu aluno e nosso protagonista nesta apresentação – levou a frente sua filosofia, unindo a história das ciências com a epistemologia histórica e teve alunos que se tornaram expoentes, como Bourdieu e Foucault.
Canguilhem foi filósofo e médico: fez um caminho diferente dos epistemólogos de sua época. Era comum, nos anos 30 e 40, o epistemólogo cursar medicina para estudar psicopatologia e tentar trazer a psicologia de volta para a área humana do conhecimento (na época inserida na biologia como uma ciência de condicionamentos). Georges Canguilhem estava preocupado com a fisiologia: como conceber o conceito de vida? E o conceito de normal? A doença depende do doente ou só do médico?
O filósofo francês tem uma noção vitalista da saúde e da doença: a verificação médica depende sempre do sentimento de desconforto do paciente e em toda a história da medicina foi assim: nesta ciência, o phatos precede o logos. Desta forma, a doença não é uma situação objetivamente analisada pelo médico, ela é uma situação de desconforto e desadequação sentida pelo próprio doente, que não consegue normatizar sua vida, não consegue construir outras regras para viver, pois só vive segundo as regras que a doença permite.
Isso porque viver é estabelecer normas para a vida. Não é possível viver fora de normas; no entanto, as normas possíveis de se viver são normas socialmente construídas: o normal não é igual em qualquer canto do mundo. Sendo assim, o sonho científico de definir os padrões normais de saúde do humano não pode ser feito com tanta facilidade: variações geográficas, sociais e nutritivas acarretam variações no normal estabelecido.
O e-book explica O Normal e o Patológico de Canguilhem capítulo a capítulo, acompanha o estudo e sintetiza os argumentos do autor. É a melhor maneira de iniciar seus estudos em Georges Canguilhem e conhecer as bases para a obra Foucaultiana.
Baixe Lendo Georges Canguilhem: O Normal e o Patológico
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